NEXOEcossocialismoÍndice
Árvore seca de raízes expostas sobre terra rachada, diante de um sol vermelho e montanhas.

Introdução

É urgente uma mudança radical

Cinquenta anos de alertas, um limite que já pode ter sido ultrapassado e a pergunta que abre o livro.

Há mais de 50 anos, somos alertados sobre as consequências do rápido crescimento econômico associado à exploração intensa dos recursos naturais. Em ObraOs Limites do CrescimentoDonella Meadows, 1972Ecologia, dinâmica de sistemasO relatório do Clube de Roma que simulou, por computador, o encontro entre crescimento econômico ilimitado e um planeta finito. A conclusão, em 1972, foi de colapso ao longo do século XXI se nada mudasse.Ver no Atlas do NEXO (1972), AutorDonella Meadows1941–2001Dinâmica de sistemas, limites do crescimentoPrincipal obra: Os Limites do Crescimento (1972)Cientista ambiental estadunidense, autora principal de Os Limites do Crescimento (1972), o relatório que mostrou pela primeira vez, com modelo computacional, que o crescimento econômico ilimitado esbarra em limites físicos do planeta.Ver no Atlas do NEXO já indicavam que esse modelo poderia levar o planeta a um colapso por volta de 2040. Hoje, olhando para as pesquisas atuais, percebemos que estamos dolorosamente próximos desse cenário.

Em novembro de 2025, o jornalista Roberto Peixoto publicou no G1 a matéria “Mundo caminha para até 2,5°C de aquecimento até o fim do século, alerta ONU”. O texto apresenta, de forma clara, como o desmatamento e as mudanças no uso da terra respondem por grande parte do aumento das emissões de gases de efeito estufa (CO₂). Desde o Acordo de Paris, em 2015, o mundo tenta limitar o aquecimento global a 1,5°C para evitar impactos extremos como secas, elevação do nível do mar e o colapso de geleiras. Entretanto, estudos recentes mostram que esse limite crítico pode já ter sido ultrapassado.

Mesmo assim, apenas 60 países, responsáveis por 63% das emissões globais, atualizaram suas metas climáticas. No caso do Brasil, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) previa reduzir 53% das emissões até 2030 e alcançar emissões líquidas zero até 2050. Contudo, as ações adotadas até agora não foram suficientes para produzir resultados promissores.

A crise climática, muitas vezes apresentada por meio de números, gráficos e relatórios internacionais, pode parecer distante da vida cotidiana. Por isso, é essencial que o estudo sobre o meio ambiente esteja presente em todas as etapas da educação básica. É somente através da formação crítica que as pessoas podem compreender a dimensão do problema, cuidar dos ambientes aos quais têm acesso e cobrar das lideranças soluções realmente eficazes.

Precisamos questionar: fazer apenas o mínimo é suficiente para proteger o planeta? Ou ainda: estamos presos a uma lógica baseada no lucro e na destruição?
Ecossocialismo · Introdução

Refletindo sobre essas perguntas, surge a proposta para a elaboração deste e-book, desenvolvido como produto educacional do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), sob a orientação do Prof. Dr. Enio de Lorena Stanzani.

Pretende-se fornecer ao professor um material didático, para que otimize seu tempo de preparo, permita inserir o tema sem sobrecarregar o currículo escolar e, com esperança, que alunos e comunidades sejam impactados pelo poder de pensar criticamente o nosso planeta.