Processo contínuo de apropriação de riquezas coletivas pelo capital, por meio da privatização de bens comuns, serviços públicos e recursos naturais, que não cessa com o desenvolvimento do capitalismo.
O conceito foi formulado pelo geógrafo britânico David Harvey, em *O novo imperialismo* (2003), como uma atualização do conceito marxista de acumulação primitiva. Harvey argumenta que o capitalismo não se expande apenas pela produção de mercadorias, mas também pela privatização de bens que antes eram coletivos: terras, água, recursos naturais, serviços públicos de saúde e educação, conhecimentos tradicionais e biodiversidade. Esse processo não é histórico, mas permanente e crescente.
Exemplos concretos de acumulação por espoliação incluem a privatização da água em países africanos e latino-americanos, a mineração predatória em territórios indígenas, o patenteamento de sementes por grandes corporações e a privatização de universidades públicas. Na educação, o conceito permite analisar como políticas de privatização educacional representam uma forma de espoliação de um bem comum, retirando da esfera pública recursos que deveriam estar disponíveis a todos.