Lema da Escola Nova e de metodologias ativas contemporâneas que coloca no aluno a responsabilidade pelo próprio aprendizado, ocultando as determinações sociais que condicionam esse processo.
O slogan "aprender a aprender" estrutura a aprendizagem como pesquisa individual, em que o aluno descobre e constrói o conhecimento por conta própria. A proposta parece emancipadora: o aluno é protagonista, desenvolve autonomia, aprende pelo interesse genuíno. Saviani (1999) demonstra, porém, que isso dissolve a diferença entre pesquisa e ensino. Ao transformar o ensino em processo de descoberta, empobrece-se tanto o ensino quanto a pesquisa: sem objetivos claros, sem sistematização do conhecimento, produz-se uma pseudopesquisa baseada no relativismo epistemológico.
Do ponto de vista da luta de classes, o risco é maior. Ao apresentar o fracasso como responsabilidade individual de quem não se esforçou o suficiente, esse modelo naturaliza as desigualdades. O aluno que não aprende não questiona o sistema: acredita que falhou. Saviani (1999) mostra ainda que as metodologias ativas chegaram às classes populares apenas de forma precária, enquanto as classes abastadas tinham toda a infraestrutura para se beneficiar delas. "Aprender a aprender", sem recorte de classe, torna-se mais um instrumento de adaptação ao capitalismo.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.