Definição
Ideologia segundo a qual o cruzamento entre brancos e não brancos e a imigração europeia tornariam a população brasileira mais clara, o que seria desejável.
Thomas Skidmore descreve o branqueamento como a crença de que a população se tornaria progressivamente mais clara e de que isso era um bem. A tese foi defendida por parte importante da elite intelectual e política entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX. Em 1911, João Batista de Lacerda, diretor do Museu Nacional, apresentou no Congresso Universal das Raças, em Londres, a previsão de que a população negra do Brasil desapareceria em cerca de um século. A previsão não se confirmou, mas mostra o horizonte em que o país se pensava: a nação branca como destino.
Não foi só uma ideia. O incentivo à imigração europeia, em detrimento da incorporação da população negra recém-liberta ao mercado de trabalho, é um exemplo central. Jerry Dávila analisa como, entre 1917 e 1945, educação e saúde públicas foram orientadas por ideias raciais e eugênicas, associando escolarização, higiene e melhoramento social a um projeto de branqueamento. A criança foi um dos principais alvos desse projeto.
O branqueamento inaugura um mecanismo de negação. Se a população tende a ficar branca, o racismo é um problema passageiro e a discriminação do presente é uma exceção a ser superada com o tempo. Kabengele Munanga argumenta que a ideologia da mestiçagem, ao dissolver as fronteiras raciais no plano simbólico, dificultou a construção de uma identidade negra e de uma mobilização política baseada na raça. É uma das origens do que depois se chamaria democracia racial.
Verbete elaborado a partir da pesquisa de Laryssa Grazielly de Lima Sousa Araújo (Revista NEXO, e0014). Revisão editorial: NEXO. Quer expandir este verbete? Colabore gratuitamente com o NEXO; quem amplia divide a autoria, sem hierarquia.