Definição
Posição de poder em que o sujeito branco se percebe, e é percebido, como padrão de humanidade, sem notar que ocupa um lugar racial.
Os estudos críticos da branquitude ganharam força no Brasil a partir dos anos 2000 e deslocaram o foco das pessoas negras para o grupo que ocupa a posição de privilégio. Lia Vainer Schucman entende a branquitude como uma posição de poder na qual a pessoa branca se vê e é vista como padrão de humanidade, ao qual se associam atributos como beleza, inteligência e competência, e que costuma passar despercebida para quem a ocupa.
A invisibilidade é parte do privilégio. Como observa Cida Bento, a categoria raça tende a ser associada só às pessoas negras, enquanto as brancas se pensam como universais, sem raça. Falar de racismo parece falar do problema do outro. Iray Carone e Maria Aparecida Silva Bento organizaram estudos que mostram como a branquitude foi construída historicamente no país, em articulação com o branqueamento, e como organiza relações de poder em espaços como a empresa, a escola e a universidade.
Falar em branquitude, ressalta Bento, não é atribuir culpa individual às pessoas brancas pelo passado. É convidá-las a reconhecer a herança de privilégios e a assumir um papel ativo em sua transformação.
Verbete elaborado a partir da pesquisa de Laryssa Grazielly de Lima Sousa Araújo (Revista NEXO, e0014). Revisão editorial: NEXO. Quer expandir este verbete? Colabore gratuitamente com o NEXO; quem amplia divide a autoria, sem hierarquia.