Promete resolver a crise ecológica sem alterar o modelo de produção que a gera.NEXO · Atlas
Também chamado de economia verde, é a tentativa de conciliar o crescimento econômico contínuo com a proteção ambiental, apostando em tecnologia limpa, mercados de carbono e na ideia de desenvolvimento sustentável.
À primeira vista, soa razoável: crescer e cuidar do planeta ao mesmo tempo. A crítica marxista e ecossocialista mostra o problema de fundo: esse esverdeamento não questiona os fundamentos do capitalismo, ele os pinta de verde.
Financeirizar a natureza
O capitalismo verde transforma florestas e comunidades tradicionais em prestadores de serviços ambientais, cria mercados de carbono e converte a crise em nova fronteira de lucro. A natureza vira ativo financeiro, e a apropriação de recursos se amplia em vez de diminuir.
Tratar o sintoma, blindar a causa
Consumo consciente, selo sustentável e compensação de carbono tratam os sintomas e deixam intacta a causa: um sistema que precisa crescer sem limite. Como sintetiza Löwy, sem mudar a racionalidade do lucro, todo verniz verde se desfaz na primeira pressão por resultado.
É preciso substituir a microrracionalidade do lucro por uma macrorracionalidade social e ecológica.Michael Löwy · O que é o ecossocialismo?, p. 44 (Cortez)
Por que o ecossocialismo recusa
O ecossocialismo não rejeita tecnologia nem eficiência: rejeita a ideia de que o mercado, sozinho, resolve o que ele mesmo provoca. A saída não é precificar a natureza, é decidir coletivamente o que produzir, para quem e dentro de quais limites.
Mostra que o capitalismo verde mantém intacta a lógica do lucro que produz a crise.
Opõe ao verniz verde a mudança de quem decide o que se produz e para quê.
Os mercados de carbono prometem neutralidade sem tocar em quem mais emite. A justiça climática desconfia.
Entender o capitalismo verde é aprender a desconfiar das soluções que prometem mudar tudo sem mudar nada. A pergunta que ele não responde é simples: a serviço de quê continua a produção?
Trilha Ecossocialismo.
.jpg)