A permanência das estruturas de poder, saber e dominação construídas durante o colonialismo, mesmo após o fim formal das colônias.
O conceito foi desenvolvido pelo sociólogo peruano Aníbal Quijano, especialmente em "Colonialidad y modernidad/racionalidad" (1992). Para Quijano, a colonização não terminou com a independência política dos países latino-americanos. Ela permaneceu por meio de hierarquias raciais, econômicas, culturais e epistêmicas que continuam organizando a sociedade contemporânea. A colonialidade estabelece quem produz conhecimento legítimo, quem governa, quais culturas são valorizadas e quais populações permanecem marginalizadas.
Quijano distingue colonialismo, que é o período histórico da dominação política direta, de colonialidade, que é o padrão de poder que sobrevive a esse período. Essa distinção é fundamental para entender por que as desigualdades persistem muito depois de assinadas as independências formais. Autores críticos consideram que o conceito pode simplificar as diferenças entre sociedades colonizadas, mas sua força analítica reside justamente em mostrar que as relações de poder não desaparecem com as estruturas jurídicas que as sustentavam. Na educação, permite questionar currículos eurocêntricos e valorizar outras formas de conhecimento.