Processo histórico que transforma a natureza em objeto de exploração econômica e domínio humano, separando radicalmente seres humanos e natureza e legitimando a destruição ambiental em nome do progresso.
A colonialidade da natureza está associada à expansão colonial europeia, que impôs uma cosmovisão na qual a natureza é recursos, e não sujeito de vida. Arturo Escobar, em *Sentir-pensar con la Tierra* (2014), e Walter Mignolo, em *Desobediencia epistémica* (2010), argumentam que essa lógica permanece presente no capitalismo contemporâneo, sustentando práticas de extrativismo, monocultura e expropriação de territórios. A colonialidade da natureza se baseia em três separações fundamentais: entre ser humano e natureza, entre razão e emoção, e entre civilização e barbárie, sendo essa última usada para desqualificar os povos que mantêm relações mais integradas com seus territórios.
Superar a colonialidade da natureza implica construir outras formas de relação com a Terra, baseadas no cuidado, na reciprocidade e no reconhecimento dos direitos da natureza. Isso exige mudanças filosóficas, jurídicas, econômicas e pedagógicas profundas. Na educação, o conceito convida a questionar como a ciência escolar apresenta a natureza e a propor práticas que reconheçam a diversidade de formas de relação entre seres humanos e ecossistemas.