A permanência das hierarquias de gênero impostas pelo colonialismo, mesmo após o fim formal da dominação colonial.
O conceito foi desenvolvido pela filósofa argentina María Lugones, em seu artigo "Colonialidad y género" (2008), a partir das reflexões sobre colonialidade formuladas por Aníbal Quijano e outros autores do grupo Modernidade/Colonialidade. Lugones argumenta que a colonização não explorou apenas territórios e economias, mas também reorganizou as relações entre homens e mulheres, impondo modelos europeus de família, sexualidade e divisão do trabalho sobre povos que possuíam outras formas de organizar essas relações.
A colonialidade de gênero evidencia que as desigualdades atuais são atravessadas por heranças coloniais que continuam estruturando a vida social, especialmente para mulheres negras e indígenas. Para Lugones, a própria categoria "mulher" como a conhecemos é uma construção colonial que apagou as diferenças entre os modos de vida dos povos colonizados. Na educação, o conceito contribui para a valorização de saberes e experiências historicamente marginalizados e para a crítica de modelos pedagógicos que reproduzem visões eurocêntricas de gênero.