Hierarquia que considera o conhecimento europeu como universal e científico, enquanto inferioriza ou nega validade a outros saberes.
O conceito foi desenvolvido por Walter Mignolo, em *Local Histories/Global Designs* (2000), e aprofundado por diversos autores do grupo Modernidade/Colonialidade. A colonialidade do saber explica como a ciência moderna ocidental passou a ocupar posição privilegiada como único modo legítimo de produzir conhecimento, enquanto os saberes indígenas, africanos, camponeses e populares foram tratados como crendice, superstição ou primitivismo. Esse processo não foi apenas intelectual: foi também político e econômico, pois desqualificar os saberes dos povos colonizados facilitou sua dominação.
A colonialidade do saber permanece operando nas universidades, nos currículos escolares e nas publicações científicas que ignoram sistematicamente as contribuições de autores e tradições não ocidentais. Ela se relaciona diretamente ao epistemicídio, que é a destruição ativa desses conhecimentos. Na educação, combater a colonialidade do saber significa abrir o currículo para a diversidade epistemológica e reconhecer que existem múltiplas formas legítimas de compreender o mundo.