Processo pelo qual a colonização afetou a própria subjetividade e a percepção de humanidade de determinados grupos, tornando alguns seres humanos menos reconhecidos como plenamente humanos.
O conceito foi elaborado pelo filósofo porto-riquenho Nelson Maldonado-Torres, em "On the Coloniality of Being" (2007). A colonialidade do ser vai além das dimensões econômica e epistêmica da colonização: ela atinge o plano ontológico, a forma como as pessoas percebem a si mesmas e são percebidas pelos outros. A colonização desumanizou os povos colonizados ao negar sua humanidade plena, o que produziu formas duradouras de exclusão, inferiorização e negação da dignidade.
Para Maldonado-Torres, a colonialidade do ser se manifesta na experiência cotidiana de não ser reconhecido, de ser tratado como objeto ou como ameaça, de ter a própria existência questionada. Ela explica, por exemplo, por que a violência contra populações negras e indígenas é sistematicamente banalizada. Na educação, o conceito convida a pensar práticas pedagógicas que reconheçam a plena humanidade de todos os sujeitos e que questionem as hierarquias que tornam algumas vidas mais dignas de proteção do que outras.