A compreensão de que a crise ecológica, social, econômica e política contemporânea não é um conjunto de problemas isolados, mas expressão de um esgotamento profundo do modelo de civilização capitalista moderno.
O conceito de crise civilizatória parte da recusa a tratar a degradação ambiental, a desigualdade social, as crises financeiras e a fragilização democrática como fenômenos separados. Eles são manifestações de uma mesma crise que atravessa todas as dimensões da vida: a forma como se produz, se consome, se governa e se relaciona com a natureza sob o capitalismo esgotou sua capacidade de reproduzir a vida de maneira sustentável. O ecossocialismo, a Educação Ambiental Crítica e as perspectivas decoloniais convergem nessa leitura: não é possível enfrentar a crise climática sem enfrentar as desigualdades de classe, raça e gênero que determinam quem sofre mais seus impactos, e não é possível construir saídas sem questionar o modelo de civilização que as produziu.
No campo educativo, a noção de crise civilizatória tem implicações importantes. Ela recusa tanto o ambientalismo que se limita a gestos individuais quanto o discurso que apresenta a tecnologia como solução suficiente. Como argumenta o ecossocialismo, a separação entre a questão ecológica e a questão do trabalho é insustentável: qualquer proposta de formação crítica precisa enfrentar simultaneamente a crise dos ecossistemas e as condições materiais que atravessam a vida de professores, estudantes e comunidades. Pensar a educação diante da crise civilizatória é, portanto, afirmar que defender a natureza e defender condições dignas de vida e de trabalho são faces de uma mesma luta.