A contradição entre a crescente necessidade social de cuidado e a redução das condições econômicas e políticas para realizá-lo, produzida pela lógica capitalista de desvalorização do trabalho reprodutivo.
A filósofa Nancy Fraser, em *O velho está morrendo e o novo não pode nascer* (2019), argumenta que o capitalismo depende do trabalho de cuidado para se reproduzir, mas tende sistematicamente a desvalorizá-lo, precarizá-lo e transferi-lo para as famílias, especialmente para as mulheres. Essa crise se manifesta quando famílias assumem responsabilidades crescentes de cuidado sem o suporte de políticas públicas adequadas: creches, escolas de tempo integral, cuidado de idosos, saúde pública.
A crise do cuidado é uma crise civilizatória porque afeta a reprodução da própria vida social. Ela não é apenas um problema das mulheres, mas uma questão estrutural que expõe os limites de uma economia organizada exclusivamente pelo critério do lucro. Fraser propõe reorganizar a sociedade de modo que a reprodução da vida seja central nas decisões econômicas e políticas, e não subordinada à lógica da acumulação. Na educação, o tema convida a discutir políticas educacionais, trabalho docente e as condições materiais em que a aprendizagem acontece.