Projeto intelectual e político que busca superar as estruturas herdadas da colonização, construindo outras formas de conhecer, ensinar e viver que não reproduzam a lógica colonial.
Mais do que estudar a colonização, a decolonialidade propõe uma transformação ativa das estruturas que a colonialidade construiu. Autores como Walter Mignolo (*The Darker Side of Western Modernity*, 2011), Catherine Walsh (*Pedagogías decoloniales*, 2017) e Boaventura de Sousa Santos (*Epistemologias do Sul*, 2010) defendem a valorização de epistemologias do Sul e dos conhecimentos historicamente invisibilizados. A decolonialidade não é uma volta ao passado pré-colonial, mas a construção de futuros que levem a sério a diversidade de formas de vida e de conhecimento.
No campo da educação, a decolonialidade se traduz em pedagogias que questionam o currículo eurocêntrico, que valorizam os saberes indígenas, africanos e populares e que formam sujeitos capazes de identificar e enfrentar as hierarquias coloniais presentes nas instituições. Ela se diferencia do pós-colonialismo, que descreve as condições após o colonialismo, por ser explicitamente um projeto de transformação.