A recessão é um crescimento que falha e empobrece. O decrescimento é uma reorganização que escolhe.NEXO · Atlas
Defende que as economias ricas reduzam de forma deliberada e equitativa seu uso de energia e materiais, em vez de perseguir o crescimento do PIB como fim em si.
É preciso desfazer um mal-entendido logo de início: decrescimento não é austeridade nem recessão. A recessão é um crescimento que falhou e jogou gente na miséria; o decrescimento é uma reorganização deliberada, que produz menos do que sobra para garantir o que falta.
A economia dentro da física
Em 1971, Nicholas Georgescu-Roegen mostrou que a economia opera dentro das leis da física: não há como crescer para sempre num planeta finito. Serge Latouche popularizou a palavra e transformou a constatação em programa político.
Menos do supérfluo, mais do essencial
Decrescer não é viver pior. É deslocar a economia: menos publicidade, obsolescência e desperdício; mais saúde, educação, cuidado e tempo livre. A pergunta deixa de ser quanto se produz e passa a ser o quê, para quem e a que custo.
Marx e o decrescimento
Kohei Saito provocou o campo ao ligar decrescimento e marxismo, com os cadernos científicos do último Marx, na ideia de um comunismo do decrescimento. É um dos debates mais vivos dentro do ecossocialismo, e dialoga com o bem viver dos povos originários.
Mostrou que a economia obedece às leis da física e não cabe num crescimento infinito.
Liga decrescimento e Marx na proposta de um comunismo do decrescimento.
Outra raiz para a mesma recusa do crescimento sem fim, vinda dos povos andinos e amazônicos.
Entender o decrescimento é questionar o dogma de que toda economia precisa crescer sempre. A pergunta que ele deixa é simples e radical: crescimento de quê, para quem, e até quando?
Trilha Ecossocialismo.
