Forma histórica de organização social que atribui funções diferentes a homens e mulheres, associando os primeiros à esfera produtiva e pública e as segundas à esfera doméstica e privada, gerando desigualdades profundas.
Segundo a socióloga francesa Danièle Kergoat, que desenvolveu o conceito especialmente em *Se battre, disent-elles...* (2012), essa divisão não decorre da natureza biológica, mas de construções sociais que naturalizam diferenças produzidas historicamente. A divisão sexual do trabalho possui dois princípios organizadores: o princípio da separação, que estabelece que há trabalhos de homens e trabalhos de mulheres, e o princípio hierárquico, que estabelece que o trabalho dos homens vale mais do que o das mulheres.
Essa separação produz desigualdades econômicas, políticas e simbólicas que persistem mesmo quando as mulheres ingressam no mercado de trabalho formal, pois continuam responsáveis pelo trabalho doméstico e de cuidado. O resultado é a chamada dupla ou tripla jornada de trabalho. Na educação, o conceito permite questionar como a escola reproduz expectativas de gênero, orienta meninas e meninos para trajetórias profissionais diferentes e naturaliza responsabilidades desiguais.