Proposta de diálogo horizontal entre diferentes formas de conhecimento, sem hierarquias absolutas, reconhecendo que a ciência moderna é uma entre várias tradições epistêmicas válidas.
O conceito foi desenvolvido pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos, em *A gramática do tempo* (2006) e aprofundado em *Epistemologias do Sul* (2010, com Maria Paula Meneses). Santos critica a ideia de que apenas a ciência moderna produz conhecimento válido, o que ele chama de monocultura do saber. Os saberes indígenas, camponeses, populares e tradicionais são formas legítimas de compreender o mundo e de resolver problemas concretos, muitas vezes com maior eficácia e sustentabilidade do que as soluções tecnocientíficas.
A ecologia de saberes não propõe abandonar a ciência, mas colocá-la em diálogo com outras formas de conhecimento, aprendendo de sua diversidade. Isso implica reconhecer que o epistemicídio gerado pela colonialidade empobreceu a capacidade humana de compreender e enfrentar os problemas do mundo. Na educação, a ecologia de saberes tem grande influência na Educação Ambiental Crítica e nas pedagogias decoloniais, inspirando práticas que valorizam o conhecimento local e comunitário.