A destruição, o silenciamento ou a desvalorização sistemática dos conhecimentos produzidos por grupos subalternizados, especialmente povos negros e indígenas.
O conceito foi desenvolvido pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, em *A crítica da razão indolente* (2000), e aprofundado no contexto brasileiro pela intelectual e ativista Sueli Carneiro, que o utilizou para explicar como o racismo atua não apenas sobre corpos, mas também sobre saberes. Povos negros, indígenas e outros grupos tiveram suas formas de conhecer desqualificadas, tratadas como superstição ou primitivismo, enquanto o conhecimento produzido pela Europa era apresentado como universal e legítimo.
O epistemicídio produz exclusão intelectual e empobrece a diversidade de perspectivas presentes na ciência, na cultura e na educação. Ele não é um fenômeno apenas histórico: continua operando nos currículos escolares, nas universidades e nas formas de avaliação que privilegiam determinados saberes em detrimento de outros. Uma educação crítica busca enfrentar esse processo, ampliando o reconhecimento da pluralidade epistemológica e questionando quem tem o direito de produzir conhecimento.