Movimento pedagógico do final do século XIX e início do XX que propôs uma educação centrada no aluno e na aprendizagem ativa, mas que, ao ignorar as determinações de classe, reforçou a hegemonia burguesa.
A Escola Nova surgiu como crítica à rigidez da pedagogia tradicional. Em vez do professor no centro, propôs o aluno como protagonista, valorizando a autonomia, a criatividade e a aprendizagem por experiência. Esse discurso encantou porque se opunha à homogeneização do ensino e à objetificação do processo educativo. Saviani (1999) aponta, porém, que o movimento cumpriu outro papel: ao absorver as críticas ao ensino tradicional, serviu como mecanismo de recomposição da hegemonia burguesa, subordinando as aspirações populares aos interesses da classe dominante.
O problema central da Escola Nova é que ela ignora as condições sociais que moldam as vontades e possibilidades de cada aluno. As chamadas "escolhas autônomas" dos educandos são, na realidade, escolhas construídas socialmente. Ao valorizar a individualidade e a autoeducação, o modelo desresponsabiliza o sistema pelas desigualdades e culpabiliza os sujeitos por seus fracassos. Saviani (1999) resume: as experiências escolanovistas foram privilégio para os já privilegiados. O povo continuou sendo educado pelo método tradicional.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.