Visão de mundo que toma a experiência europeia como modelo universal de civilização, racionalidade e progresso, apagando a diversidade histórica e cultural da humanidade.
O eurocentrismo influenciou profundamente a ciência, a filosofia, a política e a educação modernas. Para Aníbal Quijano, ele produz uma interpretação distorcida da história mundial, colocando a Europa no centro de um suposto desenvolvimento linear que todos os povos deveriam seguir. Enrique Dussel, em *1492: o encobrimento do outro* (1993), argumenta que o eurocentrismo nasceu da conquista das Américas e foi construído ativamente para justificar a dominação colonial, apresentando os europeus como portadores de uma razão superior.
O eurocentrismo opera invisibilizando as contribuições de povos africanos, asiáticos, indígenas e latino-americanos para a história da humanidade. Ele está presente nos livros didáticos que narram a história a partir da perspectiva europeia, nas universidades que privilegiam autores ocidentais e nos padrões de beleza e comportamento que tomam a Europa como referência. Questionar o eurocentrismo não significa negar a Europa, mas relativizar seu lugar na história e reconhecer a pluralidade de contribuições que construíram o mundo.