A crença de que as tecnologias educacionais têm, por si mesmas, o poder de resolver os problemas do ensino, ocultando as relações sociais, de poder e de classe que determinam o uso e o acesso a elas.
O conceito retoma o fetichismo da mercadoria de Marx para descrever como as tecnologias educacionais se tornam objetos reificados, investidos de poderes que não possuem. Empresas de tecnologia e gestores públicos propagam discursos de que plataformas, inteligências artificiais e dispositivos digitais revolucionarão o aprendizado. O que essa visão esconde é que a tecnologia não é neutra: ela é pensada dentro do sistema capitalista para alimentá-lo. O relatório da UNESCO (2023) mostra que apenas 10% dos estudantes no mundo têm acesso a dispositivos digitais, e 92% dos cursos online estão em inglês.
O fetichismo da tecnologia responsabiliza a ferramenta pelo resultado e desresponsabiliza os agentes e as estruturas. Quando um professor é substituído por um vídeo gravado e replicado infinitas vezes, não é a tecnologia que avança: é o custo da educação que cai para o empresário. O aluno perde o diálogo, o professor perde o emprego, a universidade lucra. A ilusão de democratização tecnológica mascara, assim, uma nova forma de exploração do trabalho e de precarização do ensino. Como analisa Žižek (2010), a ideologia da educação por plataforma apresenta a tecnologia como solução mágica para problemas que são estruturalmente sociais.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.