A compreensão de que diferentes sistemas de opressão, como racismo, sexismo e classismo, atuam simultaneamente, produzindo experiências específicas de desigualdade que não podem ser explicadas por um único eixo.
O conceito foi formulado pela jurista e teórica Kimberlé Crenshaw, em artigo publicado em 1989 na *University of Chicago Legal Forum*, a partir da análise de casos em que mulheres negras sofriam discriminações que não podiam ser explicadas apenas pelo racismo ou apenas pelo sexismo. Crenshaw demonstrou que as opressões não se somam mecanicamente: elas se entrelaçam, criando situações específicas de exclusão que passam despercebidas quando se enxerga apenas uma dimensão de cada vez.
Posteriormente, Patricia Hill Collins ampliou a teoria ao propor a ideia de matriz de dominação, em *Black Feminist Thought* (1990). Collins mostrou como raça, gênero, classe e sexualidade constituem sistemas interdependentes de poder, que operam tanto nas estruturas sociais quanto nas formas de consciência individual. Algumas críticas apontam que o conceito pode ser utilizado de maneira excessivamente descritiva, sem questionar as estruturas econômicas que sustentam as desigualdades. Na educação, a interseccionalidade permite compreender os sujeitos em sua complexidade histórica e social, contribuindo para práticas pedagógicas mais inclusivas e críticas.