A crise climática atinge toda a humanidade, mas não recai sobre todos da mesma forma.NEXO · Atlas
Trata o aquecimento global como questão ética e política, não apenas técnica. O clima não é neutro: ainda que afete o planeta inteiro, distribui seus danos de forma profundamente desigual.
As nações e classes que mais emitiram ao longo da história são as que menos sofrem; populações pobres, negras e indígenas enfrentam os piores impactos. Por isso a justiça climática incorpora raça, gênero e colonialidade, em vez de tratar a humanidade como um bloco uniforme.
Responsabilidades comuns, porém diferenciadas
A Convenção do Clima firmada na Rio-92 trouxe um princípio que a justiça climática leva a sério: todos os países têm responsabilidade, mas não a mesma. Quem industrializou queimando carbono por dois séculos não pode cobrar a mesma conta de quem mal começou.
O clima tem endereço
A enchente que destrói a periferia e poupa o bairro rico, a seca que expulsa o pequeno agricultor, o calor que mata mais nas casas sem sombra: o impacto climático segue as linhas da desigualdade que já existiam. Adaptar-se à crise custa dinheiro que nem todos têm.
Da justiça social ao planeta
A justiça climática é a justiça socioambiental na escala do mundo. Ela encontra o ecossocialismo na pergunta de fundo: como repartir o esforço e o custo da transição sem repetir, no clima, as injustiças de sempre?
A desigualdade na distribuição do dano ambiental, agora lida na escala do clima global.
Coloca a pergunta sobre quem decide e quem paga a transição, contra as falsas soluções de mercado.
Mercados de carbono prometem resolver o clima sem mexer em quem mais emite. A justiça climática desconfia.
Entender a justiça climática é recusar a frase fácil de que estamos todos no mesmo barco. Estamos na mesma tempestade, mas em barcos muito diferentes. Reconhecer isso é o começo de qualquer transição justa.
Trilha Ecossocialismo.
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