Princípio segundo o qual diferentes povos e culturas têm direito ao reconhecimento de seus conhecimentos e modos de compreender a realidade, sem que nenhum seja tratado como inferior.
Também formulado por Boaventura de Sousa Santos, o conceito surge como resposta direta ao epistemicídio produzido pela colonização. A justiça cognitiva defende que não existe uma única forma legítima de produzir conhecimento e que a diversidade epistêmica é tão importante quanto a biodiversidade: ambas são condições para a sobrevivência e o florescimento da vida. Silenciar saberes é, nesse sentido, um ato de injustiça comparável à destruição de ecossistemas.
A justiça cognitiva conecta-se à noção de ecologia de saberes e à crítica do racismo epistêmico. Ela implica transformações nas universidades, nos currículos e nas políticas científicas, de modo que os conhecimentos produzidos por grupos historicamente subalternizados sejam reconhecidos, protegidos e integrados aos processos de produção do saber. Na educação básica, convida a ampliar as referências teóricas e práticas utilizadas em sala de aula, incluindo autores, tradições e formas de conhecimento que normalmente permanecem fora dos livros didáticos.