O conflito histórico e estrutural entre grupos sociais com interesses antagônicos definidos por sua posição nas relações de produção, que Marx e Engels identificaram como o motor da história.
O conceito é central em toda a obra de Karl Marx e Friedrich Engels, sintetizado na abertura do *Manifesto do Partido Comunista* (1848): "A história de toda a sociedade até hoje existente é a história das lutas de classes." Para Marx, as sociedades capitalistas são divididas fundamentalmente entre a burguesia, que detém os meios de produção, e o proletariado, que só possui sua força de trabalho para vender. Essa divisão não é apenas econômica: ela determina o acesso ao poder político, ao conhecimento, à cultura e à própria voz no espaço público. As classes não são grupos estáticos, mas relações sociais definidas pelo lugar que ocupam no processo de produção e pela consciência que desenvolvem de seus interesses.
Na educação, a luta de classes se manifesta na divisão entre uma formação intelectual destinada às elites e uma formação técnica e instrumental destinada às classes trabalhadoras, denunciada por Gramsci em sua proposta de Escola Unitária e por Saviani na Pedagogia Histórico-Crítica. A escola não está acima das classes: ela reflete as relações de poder da sociedade e, ao mesmo tempo, é um espaço de disputa, onde diferentes projetos de formação humana se confrontam. Compreender a luta de classes é, portanto, condição para entender por que determinados conhecimentos chegam a determinadas crianças, e por que outros permanecem bloqueados.