A condição de exclusão produzida pela escola ao reforçar a dominação de classe, não como acidente, mas como função estrutural da educação no capitalismo.
Saviani (2008) define marginalidade não como desvio individual, mas como fenômeno inscrito na própria estrutura da sociedade capitalista. O grupo que detém maior força converte-se em dominante, apropriando-se dos resultados da produção social e relegando os demais à condição de marginalizados. A educação, longe de corrigir esse processo, o legitima: ao transmitir os valores e ideologias da classe dominante, a escola cumpre a função de reforçar a dominação e naturalizar a exclusão.
A pedagogia tradicional historicamente associou marginalidade a ignorância e propôs a escola como antídoto. O problema é que o conhecimento distribuído por essa escola foi sempre o da classe que controla a produção. Assim, educar para eliminar a marginalidade tornou-se, na prática, uma forma de preparar indivíduos para aceitar sua posição no sistema. Para Marx e Engels (1984), a classe trabalhadora é, por definição, marginalizada no capitalismo. Compreender isso é o primeiro passo para questionar a função real da escola.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.