A troca material permanente entre os seres humanos e a natureza mediada pelo trabalho, conceito desenvolvido por Marx para compreender a relação entre sociedade e meio natural como processo histórico e material.
O conceito foi desenvolvido por Karl Marx, especialmente em *O Capital* (1867), a partir do termo alemão *Stoffwechsel*, que designa a troca de matéria. Para Marx, o trabalho é o processo pelo qual os seres humanos transformam a natureza para satisfazer suas necessidades, mas ao fazê-lo também transformam a si mesmos e estabelecem uma relação metabólica com o meio natural: "O trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e a natureza, processo este em que o homem, por sua própria ação, medeia, regula e controla seu metabolismo com a natureza." Essa troca não é meramente biológica, mas histórica e social: ela assume formas diferentes conforme os modos de produção que organizam a vida coletiva. Sob o capitalismo, o metabolismo social é submetido à lógica do valor de troca, o que significa que os ciclos naturais de regeneração dos ecossistemas passam a ser ignorados sempre que seu ritmo entra em conflito com as exigências de acumulação.
Friedrich Engels, em *Dialética da Natureza*, aprofundou essa análise ao recusar a ideia de um domínio absoluto do ser humano sobre o meio: cada intervenção sobre os ecossistemas produz consequências imprevistas, porque a humanidade não está fora da natureza, mas integra seus processos. John Bellamy Foster retomou essas bases para mostrar que a ecologia não é um acréscimo ao marxismo, mas está presente em seus fundamentos. Na educação, o conceito de metabolismo social permite compreender a relação entre seres humanos e natureza como algo construído historicamente, questionando tanto a ideia de domínio humano ilimitado quanto as soluções que ignoram a dimensão social e econômica da crise ambiental.