Definição
Conjunto de modos, individuais e coletivos, de saber que o racismo existe e recusar seu significado ou suas consequências. Cohen distingue três formas: literal, interpretativa e implicativa.
A negação do racismo não é falta de informação a ser corrigida com mais dados. É um dispositivo ativo, que se renova quando ameaçado. Com base em Stanley Cohen, o artigo identifica três formas no debate brasileiro. A literal afirma que não há racismo no país. A interpretativa reduz episódios de discriminação a “desentendimentos”, “brincadeiras” ou “questões de classe”. A implicativa admite de forma genérica que “o racismo existe” e recusa qualquer medida que redistribua poder e recursos.
Entre as formas atuais está a inversão: quem denuncia o racismo passa a ser acusado de produzi-lo, com expressões como “racismo reverso” ou “vitimismo”. Outra é a condenação do racista individual. Silvio Almeida alerta que tratar o racismo como desvio moral de pessoas específicas deixa intacta a estrutura que produz desigualdades. Condenar “o racista” pode funcionar como absolvição coletiva: se o racismo é falha de poucos, a maioria permanece imune.
Os efeitos não são iguais para todos. Sobre pessoas brancas, a negação protege a autoimagem e preserva privilégios. Sobre pessoas negras, desautoriza a percepção da violência e dificulta sua elaboração, o que, em termos clínicos, pode aparecer como confusão, culpa e desconfiança de si.
Verbete elaborado a partir da pesquisa de Laryssa Grazielly de Lima Sousa Araújo (Revista NEXO, e0014). Revisão editorial: NEXO. Quer expandir este verbete? Colabore gratuitamente com o NEXO; quem amplia divide a autoria, sem hierarquia.