Nova forma de extrativismo praticada por governos contemporâneos, inclusive progressistas, que mantém a dependência da exportação de recursos naturais mesmo quando utiliza parte da renda para políticas sociais redistributivas.
A socióloga argentina Maristella Svampa, em *Debates latinoamericanos* (2016), analisa como governos progressistas da América Latina no início do século XXI, como os de Venezuela, Equador e Bolívia, mantiveram ou ampliaram o modelo extrativista para financiar programas sociais, sem questionar a estrutura econômica dependente. Isso criou uma contradição entre o discurso de soberania e sustentabilidade e a prática de ampliação das fronteiras extrativistas, gerando novos conflitos com comunidades indígenas e camponesas.
O neoextrativismo expõe os limites de projetos de desenvolvimento que buscam redistribuir a riqueza sem transformar os modos de produzi-la. Ele está ligado à colonialidade da natureza e ao pós-desenvolvimento, que questionam se é possível construir sociedades justas e sustentáveis mantendo o modelo de acumulação baseado na extração. Na educação, o tema permite discutir as contradições dos projetos políticos latino-americanos contemporâneos e as tensões entre desenvolvimento social e sustentabilidade ecológica.