Concepção indígena andina que compreende a Terra como um ser vivo, sagrado e interdependente com todas as formas de vida, fundamentando uma relação de reciprocidade entre seres humanos e natureza.
Pachamama significa literalmente "mãe mundo" ou "mãe universo" nas línguas quéchua e aymara, onde pacha designa mundo, universo, tempo, e mama designa mãe. Não se trata apenas de uma metáfora ou de uma referência simbólica à natureza: a Pachamama representa uma ontologia diferente, em que os seres humanos não são proprietários ou gestores da natureza, mas parte dela, com responsabilidades de reciprocidade e cuidado. Essa concepção está na base das cosmovisões andinas e permeia as noções de Bem Viver, territorialidade e comunalidade.
A Constituição do Equador de 2008 foi a primeira no mundo a reconhecer juridicamente os Direitos da Natureza, inspirando-se nessa concepção e abrindo um precedente histórico para o direito ambiental internacional. A Pachamama conecta-se às discussões sobre colonialidade da natureza, pois a colonização europeia impôs uma visão radicalmente diferente, que transformou a Terra em objeto de exploração. Reconhecer a Pachamama é reconhecer que existem outras formas legítimas de compreender a relação entre humanidade e planeta.