O processo pelo qual a sociedade naturaliza a violência e insensibiliza os indivíduos diante do sofrimento alheio, transformando a crueldade em norma cultural e política.
O conceito foi elaborado pela antropóloga argentina Rita Laura Segato, especialmente em *La guerra contra las mujeres* (2016) e em *La crítica de la colonialidad en ocho ensayos* (2015). Segato o utiliza para explicar como as estruturas patriarcais e capitalistas transformam pessoas e corpos em objetos descartáveis. Nas sociedades marcadas pela colonialidade, a crueldade deixa de ser exceção e passa a ser incorporada às relações sociais, à política e à cultura como forma de manutenção do poder.
Para Segato, a pedagogia da crueldade é ensinada e aprendida: ela se transmite nas práticas cotidianas, nos discursos que banalizam a violência, nas estruturas que tornam a morte e o sofrimento de determinados grupos aceitáveis ou invisíveis. A educação crítica pode atuar como resistência a esse processo, promovendo empatia, solidariedade e o reconhecimento da dignidade de todos os seres humanos, especialmente dos mais vulnerabilizados.