Orientação curricular que substitui o domínio de conhecimentos disciplinares pelo desenvolvimento de habilidades práticas alinhadas ao mercado de trabalho, consolidada no Brasil pela BNCC.
A pedagogia das competências é a versão neoliberal da Escola Nova. Em vez de transmitir um corpo de conhecimento historicamente acumulado, propõe que o aluno desenvolva competências transferíveis: capacidade de resolver problemas, de se adaptar a situações novas, de trabalhar em equipe. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada no Brasil na segunda metade dos anos 2010, é o documento que formalizou essa orientação no sistema público de ensino. Para Santana (2017), quando o ensino se apresenta como eminentemente técnico, sua finalidade confunde-se com a necessidade do mercado.
A crítica central é que a ênfase em competências desvaloriza o conhecimento disciplinar e fragmenta o saber. Ao descontextualizar as habilidades da realidade social e ignorar a relação dialética entre conhecimento e sociedade, a BNCC reproduz as desigualdades que diz combater. Professores são transformados em mediadores de processos e perdem protagonismo. Alunos aprendem a cumprir funções sem compreender criticamente a realidade que os rodeia. Sob essa lógica, educar não é ampliar a consciência: é preparar mão de obra barata para o mercado burguês.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.