Modelo de ensino centrado na transmissão de conteúdos pelo professor, surgido com a modernidade burguesa e orientado à formação de indivíduos úteis ao sistema capitalista de produção.
A pedagogia tradicional emergiu na Europa do século XVI como resposta ao ensino medieval baseado na religião, chegando ao Brasil em meados do século XX. Sua proposta era que a educação deveria ser para todos, ideia que se alinhava aos interesses da burguesia em consolidar uma sociedade democrática liberal. Saviani (2008) observa que esse projeto nunca foi neutro: educar para todos significava inculcar os valores da classe dominante em toda a população, preparando-a para ocupar os papéis que o mercado de trabalho exigia.
Na prática, o ensino tradicional coloca o professor como detentor do saber e o aluno como receptor passivo. A cultura individual é valorizada, mas dentro dos limites definidos pela classe que controla o conhecimento. Isso dissimula as desigualdades: ao supor que todos partem das mesmas condições, o fracasso escolar vira fracasso individual. O resultado é a reprodução da hierarquia social sob a aparência de mérito. Nesse sentido, a pedagogia tradicional é, nas palavras de Saviani (2008), uma pedagogia da classe dominante.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.