O processo pelo qual empresas de tecnologia assumem a mediação do ensino por meio de plataformas digitais, transformando o conhecimento em mercadoria e precarizando o trabalho docente.
A plataformização da educação avançou no Brasil especialmente após a expansão das universidades a distância e das políticas de acesso ao ensino superior dos anos 2000. O que se apresentou como democratização revelou-se, na análise crítica, um movimento de mercantilização: universidades particulares utilizaram a brecha da demanda popular por diplomas para lucrar com a venda de cursos baratos e de baixa qualidade. O professor, nessa lógica, não é um profissional formador: é um gravador de conteúdo replicável, substituível a qualquer momento por um banco de dados.
Essa dinâmica estende à educação a mesma lógica que o capitalismo aplica a toda produção: fragmentar o trabalho, reduzir custos, maximizar o lucro. O conhecimento se torna mercadoria a ser comprada e consumida nas plataformas. A relação pedagógica, que é essencialmente relação entre sujeitos, é substituída por uma relação entre o aluno e um produto. O resultado é uma educação que não amplia a consciência: instrui para funções específicas, aliena o trabalhador de seu próprio desenvolvimento e naturaliza a precarização do ensino público.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.