A valorização das influências africanas presentes na língua portuguesa falada no Brasil, entendida como espaço de resistência, identidade e contribuição cultural insubstituível.
O conceito foi criado pela intelectual e ativista brasileira Lélia Gonzalez, em artigo publicado na revista *Tempo Brasileiro* em 1984, intitulado "Racismo e sexismo na cultura brasileira". Gonzalez demonstrou que a cultura brasileira não pode ser compreendida sem reconhecer a contribuição dos povos africanos, visível nos ritmos, nas palavras, nas entonações e nas formas de expressão que marcam o português falado no Brasil, especialmente nas comunidades negras.
O pretuguês questiona a ideia de uma língua pura e hierarquicamente superior, evidenciando como a linguagem também é espaço de resistência e de afirmação identitária. Lélia Gonzalez foi pioneira ao articular raça, gênero e classe na análise da sociedade brasileira, antecipando debates que só ganhariam visibilidade décadas depois. Reconhecer o pretuguês significa reconhecer que os saberes e as práticas historicamente invisibilizados dos povos africanos e seus descendentes são fundamentos da cultura nacional, e não desvios dela.