Definição
Forma de racismo que recusa o vocabulário da raça e explica a desigualdade por argumentos de aparência neutra, como mérito, escolha cultural ou preferências naturais. Do inglês *color-blind racism*.
A expressão vem do sociólogo Eduardo Bonilla-Silva, que a formulou para o contexto dos Estados Unidos. Em vez de afirmar a superioridade de um grupo, o discurso daltônico evita falar de raça e atribui as diferenças entre grupos a mérito individual, a escolhas culturais ou à naturalidade das preferências.
Embora criada para outro país, a análise ajuda a ler falas brasileiras como “só existe uma raça, a humana”, “o problema é de classe” ou “as cotas racializam a sociedade”. Nelas, uma premissa antropológica correta, a de que a raça biológica não existe, é usada para desqualificar políticas que enfrentam os efeitos sociais da raça. A raça biológica não existe, mas a raça social existe e organiza oportunidades.
Verbete elaborado a partir da pesquisa de Laryssa Grazielly de Lima Sousa Araújo (Revista NEXO, e0014). Revisão editorial: NEXO. Quer expandir este verbete? Colabore gratuitamente com o NEXO; quem amplia divide a autoria, sem hierarquia.