Princípio segundo o qual as relações sociais e ecológicas devem basear-se na troca, no cuidado e na responsabilidade mútua, presente nas cosmovisões andinas e em diversas tradições indígenas latino-americanas.
Nas cosmologias andinas, nada existe de forma isolada ou autossuficiente. Os seres humanos recebem da natureza, das comunidades e das gerações anteriores, e possuem, por isso, responsabilidades de cuidado e retribuição. A reciprocidade é ao mesmo tempo econômica, social, espiritual e ecológica, organizando desde as trocas de trabalho entre famílias vizinhas até as relações com a terra e com os ciclos naturais. Ela se opõe à lógica da acumulação unilateral que caracteriza o capitalismo.
A reciprocidade está presente no Bem Viver, na Pachamama e na comunalidade, formando um conjunto de princípios que propõem uma outra economia e uma outra ética para a vida coletiva. Na educação, o princípio da reciprocidade convida a repensar as relações entre escola e comunidade, entre professores e estudantes, entre conhecimento científico e saberes tradicionais, buscando formas de troca e de aprendizagem que valorizem todas as partes envolvidas.