A crise ecológica não é só falta de dados. É efeito de uma racionalidade que partiu o mundo em pedaços.NEXO · Atlas
Para Enrique Leff, a crise ambiental não se resolve só com mais ciência ou mais tecnologia. Ela nasce de uma forma de pensar que fragmenta o mundo em disciplinas e o reduz a recurso econômico.
O saber ambiental responde com outra racionalidade, capaz de articular natureza, cultura e sociedade sem apagar suas diferenças. Leff cunhou e desenvolveu o conceito, com marco na obra Saber Ambiental, de 2001. Não se trata de somar disciplinas, mas de mudar o modo de conhecer.
A crise é da própria razão
A ciência que separou tudo em caixas, física, biologia, economia, perdeu de vista as conexões que sustentam a vida. Leff chama isso de crise da racionalidade: não basta saber mais sobre cada parte se ninguém pensa o todo e as relações entre elas.
Mais que interdisciplinaridade
O saber ambiental não é juntar especialistas numa sala. É deixar que os saberes se transformem no encontro, incluindo os saberes tradicionais dos povos que convivem com a terra há séculos. Conhecimento científico e conhecimento popular dialogam sem hierarquia automática.
Uma nova racionalidade
Leff propõe uma racionalidade ambiental que coloca os limites da natureza e a diversidade cultural no centro. É um saber que serve à vida, e não apenas à produção, e que dialoga diretamente com a educação ambiental crítica e o bem viver dos povos originários.
Cunhou o conceito e propôs a racionalidade ambiental como alternativa à ciência que fragmenta o mundo.
Leva o saber ambiental para a escola, ligando a crise ecológica às estruturas sociais que a produzem.
Os saberes dos povos originários, que o saber ambiental reconhece, encontram no bem viver uma forma própria de racionalidade.
Entender o saber ambiental é perceber que a crise ecológica também é uma crise de conhecimento. Mudar a relação com a natureza exige mudar o modo como a conhecemos.
Trilha Ecossocialismo.
.jpg)