Grupos sociais colocados historicamente em posições de inferioridade política, econômica, cultural e epistêmica, com sua voz limitada ou silenciada pelas estruturas de poder.
O conceito de subalternidade ganhou destaque com o filósofo italiano Antonio Gramsci, que utilizava o termo "classes subalternas" para designar grupos excluídos dos centros de poder político e econômico. Posteriormente, os estudos pós-coloniais ampliaram a discussão, especialmente com a filósofa indiana Gayatri Chakravorty Spivak, que em seu ensaio "Pode o subalterno falar?" (1988) problematizou os limites da representação: os grupos subalternizados frequentemente têm sua fala mediada pelas elites, pelas instituições ou pelos discursos dominantes, de modo que suas experiências acabam sendo reinterpretadas ou silenciadas.
A subalternização não se refere apenas à pobreza material, mas também à exclusão dos espaços de decisão e da produção do conhecimento. Ser subalternizado significa ter a própria experiência narrada por outros, ter os próprios saberes desqualificados e a própria voz substituída pela voz de quem ocupa posições de poder. Na educação, reconhecer os sujeitos subalternizados significa valorizar suas experiências, culturas e formas de conhecimento, rompendo com perspectivas que os tratam apenas como objetos de estudo ou destinatários passivos da formação.