Relação histórica, cultural, afetiva e política que um povo estabelece com seu território, compreendendo-o não apenas como espaço físico, mas como suporte de identidade, memória e modos de vida.
O território, para além de sua dimensão física, envolve memória, cultura, identidade, espiritualidade e modos de vida que se construíram ao longo de gerações. O geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves, em *A globalização da natureza e a natureza da globalização* (2006), desenvolve o conceito de territorialidade para mostrar como a luta pela terra não é apenas uma disputa econômica, mas uma disputa pelo direito de existir e de continuar sendo, especialmente para povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
A destruição dos territórios, por meio de projetos mineradores, do agronegócio ou da especulação imobiliária, é também a destruição de formas de vida, de conhecimentos e de identidades. Por isso, as lutas territoriais são simultaneamente lutas pela cultura, pela memória e pela sobrevivência. Na educação, o conceito de territorialidade convida a pensar a escola como parte de um território com história, conflitos e potências, e a valorizar os saberes que as comunidades locais construíram em relação ao seu lugar no mundo.