Um espectro ronda a Europa: o espectro do comunismo.Manifesto do Partido Comunista, 1848 · Marx e Engels
Não é um livro, é um chamado. Em poucas dezenas de páginas, Marx e Engels condensaram uma leitura da história e um convite à ação que atravessaria o século.
Escrito a pedido da Liga dos Comunistas e publicado em Londres em 1848, às vésperas das revoluções que sacudiram a Europa, o texto faz três coisas em sequência: lê a história como luta de classes, descreve a força ao mesmo tempo criadora e destruidora do capital, e conclama os trabalhadores a se organizarem.
A história tem um motor
Logo na primeira linha da primeira parte, o Manifesto anuncia a sua chave de leitura. A história não é uma sucessão de reis e datas, mas o conflito entre quem detém os meios de produção e quem só tem a própria força de trabalho.
A história de toda sociedade até hoje é a história da luta de classes.Manifesto do Partido Comunista, 1848
Tudo o que é sólido se desmancha no ar
Marx e Engels não subestimam o capitalismo. Reconhecem nele uma força revolucionária que desmonta o mundo antigo, dissolve tradições e lança tudo num movimento permanente de transformação. É elogio e diagnóstico ao mesmo tempo.
Tudo o que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado.Manifesto do Partido Comunista, 1848
A última linha vira palavra de ordem
O texto termina convocando. Se a história é luta de classes e o capital arrasta o mundo, a saída proposta é a organização de quem trabalha, para além das fronteiras nacionais. A frase final virou a mais conhecida do pensamento político moderno.
Proletários de todos os países, uni-vos!Manifesto do Partido Comunista, 1848 (frase final)
Um documento do seu tempo, e além dele
O NEXO estuda o Manifesto inteiro, força e limites. Ele acertou ao prever um capitalismo que se globaliza e revoluciona tudo o que toca. Deixou em aberto perguntas que o século XX cobraria caro, sobre o Estado, a democracia e a liberdade.
O Manifesto é escrito a quatro mãos. Engels seria, por décadas, o organizador e divulgador da obra de Marx.
A chave de leitura da história proposta pelo texto: toda sociedade dividida se move pelo conflito entre as classes.
Foster retoma a Marx analisando a ruptura metabólica, pensamento que origina o ecossocialismo.
Mais de cento e setenta anos depois, o Manifesto segue lido porque acertou na descrição de um capitalismo que não para de revolucionar tudo o que toca. Estudá-lo é encarar a força do diagnóstico e as perguntas que ele deixou abertas.
Fundamentos do Marxismo.

