Ao pagar a uns e não pagar a outras, o salário esconde o trabalho que torna todo o resto possível.NEXO · Atlas
Silvia Federici volta a Marx, com admiração e crítica. Ela mostra um ponto cego: ao analisar o salário, Marx quase não viu o trabalho não pago das mulheres, que o sustenta por baixo.
Reunindo ensaios sobre Marx, gênero e feminismo, o livro argumenta que o salário foi também um instrumento de poder patriarcal. Ele separou o trabalho pago do não pago, o homem da mulher, a fábrica da casa, e fez parecer natural quem deveria servir a quem.
O salário como divisão
O salário não distribui apenas dinheiro: distribui poder. Ao reconhecer como trabalho só o que é pago, ele transformou o trabalho doméstico em obrigação invisível das mulheres, e deu ao trabalhador assalariado uma pequena autoridade sobre quem o servia em casa.
Com Marx e além dele
Federici não descarta Marx, usa as suas ferramentas e aponta o que ele não viu. A categoria de força de trabalho, central em O Capital, depende de um trabalho de reprodução que Marx deixou na sombra. Preencher essa lacuna é completar a crítica do capital.
Classe tem gênero
O NEXO destaca a lição: não há análise de classe completa sem gênero. Pensar a exploração só pela fábrica é repetir o erro que torna invisível metade do trabalho que mantém o mundo de pé.
A categoria de força de trabalho, central em Marx, depende de um trabalho de reprodução que ele deixou na sombra.
O trabalho doméstico e de cuidado que o salário transformou em obrigação invisível das mulheres.
A história da origem dessa hierarquia, que aqui Federici lê dentro da própria teoria de Marx.
O Patriarcado do Salário mostra que o capital se ergueu também sobre uma hierarquia entre homens e mulheres. Enfrentá-la é parte de qualquer luta anticapitalista séria.
Feminismo, Trabalho e Natureza.
