A casa dos Park
Coleção Parasita · Trilha 1 · Módulo 1
Resumo
Como a mansão dos Park foi construída em estúdio e por que a verticalidade organiza o espaço inteiro do filme.
Palavras-chave: Parasita; Lee Ha-jun; arquitetura; verticalidade; cenografia.
A casa do filme existe
Não. Nenhuma das casas de Parasita existia antes do filme, nem a mansão dos Park, nem o bairro ao redor dela. Tudo foi desenhado e construído especificamente para as filmagens, o que só foi revelado publicamente depois da estreia em Cannes. O único pedido de Bong Joon-ho ao designer de produção foi que a casa tivesse um jardim bonito, o resto da concepção ficou por conta de Lee Ha-jun.
Quem projetou a casa
Lee Ha-jun, diretor de arte e designer de produção do filme, foi quem desenhou tanto a mansão dos Park quanto o semiporão da família Kim e o bairro ao redor dele. Em entrevistas à Dezeen e à IndieWire, ele citou como referências de estilo o pintor Piet Mondrian, o pintor Wassily Kandinsky, peças de Lego e móveis do designer coreano Bahk Jong-sun, usados propositalmente sem marca reconhecível, para não tirar o espectador da história.
Por que a casa foi construída em estúdio, e não filmada num local real
O primeiro andar da mansão foi construído num lote externo usado para sets de cinema, com o jardim plantado especificamente para aquele cenário. O segundo andar e o porão foram construídos separadamente, num estúdio fechado. A passagem entre a cozinha e o bunker secreto, um dos planos mais comentados do filme, está descrita em detalhe no módulo sobre o bunker.
O conceito central, verticalidade
A ideia que organiza a casa inteira é a descida. Do térreo da mansão, com a sala aberta e a parede de vidro voltada para o jardim, desce-se para o porão de estoque, e desse porão, por uma passagem escondida, para o bunker onde Geun-se vive havia anos. O gradiente de luz que acompanha essa descida, farta em cima, escassa embaixo, está desenvolvido em detalhe no módulo sobre a luz.
Por que a sala não tem televisão
A sala de estar da mansão dos Park não tem televisão. Segundo o próprio Bong, a lógica interna do filme é que o arquiteto fictício da casa, Namgoong Hyeonja, projetou o térreo especificamente para se apreciar o jardim, e a proporção da parede de vidro segue a mesma proporção de tela do próprio filme.
Por que a garagem se conecta direto com a sala
Existe um caminho contínuo, sem parede, entre a garagem e a sala de estar da mansão. Essa decisão fazia parte do blocking (a movimentação dos atores pelo espaço) que Bong desenhou cena a cena antes mesmo de a casa existir fisicamente, o desenho da casa nasceu, em parte, para servir a movimentos de câmera e de atores que já estavam pensados no roteiro.
O que a casa representa
Mais do que cenário, a casa funciona como um argumento visual sobre desigualdade. A mesma verticalidade que organiza o espaço físico organiza também a posição social de quem vive nele: quem está mais alto na casa tem mais luz, mais ar, mais controle. Quem está mais embaixo, como Geun-se no bunker, vive na dependência total de quem está acima, sem que a própria existência dele seja sequer conhecida pela família que mora no andar de cima.
Como citar este artigo
LUZ, Laís Machado Ribeiro. A casa dos Park. Revista NEXO, 2026.
Luz, L. M. R. (2026). A casa dos Park. Revista NEXO, .
