A luz
Coleção Parasita · Trilha 1 · Módulo 5
Resumo
Luz farta, luz escassa: como a iluminação de Parasita marca a diferença entre as classes.
Palavras-chave: Parasita; fotografia; Hong Kyung-pyo; luz; classe social.
Luz como marcador de classe
Bong Joon-ho descreveu a luz que entra na mansão dos Park como algo parecido com uma cachoeira, um fluxo constante e farto. Esse tipo de descrição só faz sentido em contraste com o resto do filme: à medida que a história desce, do térreo da mansão para o semiporão dos Kim, e do semiporão para o bunker de Geun-se, a quantidade de luz disponível vai diminuindo na mesma proporção.
Uma leitura crítica publicada em 2020 (Medium, "Of smells and lines: Subaltern Dystopia in Bong Joon Ho's Parasite") observa que o filme usa sistematicamente tons amarelos contra tons brancos para marcar a diferença entre as classes representadas, associando umidade, escuridão e invisibilidade à pobreza retratada no filme.
Luz natural x luz artificial
A mansão dos Park é definida por luz natural em abundância, entrando por uma parede de vidro em CinemaScope. Já o bunker de Geun-se, e em menor medida o próprio semiporão dos Kim, dependem inteiramente de luz artificial pontual, lâmpadas soltas, penduradas, cercadas de escuridão. Não é só uma escolha estética, é uma forma de mostrar, sem precisar de diálogo, quem tem acesso ao dia e quem vive numa espécie de noite permanente, controlada por um interruptor que nem sempre está nas próprias mãos.
A luz como linguagem, o código Morse do final
No desfecho do filme, Ki-taek, escondido no bunker, começa a se comunicar com o filho através de piscadas de luz, um código Morse transmitido pelo lustre da casa, que Ki-woo consegue enxergar de longe usando um telescópio. É o ponto em que a luz deixa de ser só atmosfera visual e vira literalmente linguagem, o único canal de comunicação que resta entre pai e filho depois de tudo que aconteceu.
Como usar esse módulo
Este módulo tem um par de imagens comparativas como apoio visual: uma sala ampla banhada de luz natural, ao lado de um cômodo pequeno iluminado só por uma lâmpada única. A comparação lado a lado é o próprio argumento do módulo, funciona melhor como imagem dupla do que como fotografia isolada.
Como citar este artigo
LUZ, Laís Machado Ribeiro. A luz. Revista NEXO, 2026.
Luz, L. M. R. (2026). A luz. Revista NEXO, .
