Coleção Estômago · Trilha 1 · Módulo 1
Estômago não nasce de um roteiro original, nasce de um conto. "Presos pelo Estômago" é uma das histórias do livro Pólvora, Gorgonzola e Alecrim, publicado em 2003 pela escritora paulistana Lusa Silvestre. O título do livro já entrega o espírito: uma coletânea de contos que usa comida como fio condutor, ora literal, ora como metáfora de outra coisa.
Antes de virar roteirista, Silvestre construiu carreira na publicidade, formada pela USP, passou por agências como McCann Erickson e Trade Comunicação, e escreveu para revistas como Sexy, Playboy e Superinteressante. É um percurso que ajuda a explicar o tom do filme nascido do seu conto: uma narrativa direta, sensorial, pensada pra prender a atenção rápido, mais próxima do instinto editorial de uma revista do que da cadência mais lenta de boa parte do cinema autoral brasileiro da época.
Quando o diretor Marcos Jorge encontrou o conto, associou-se a Silvestre para transformar a história curta num longa-metragem. O roteiro final expande o universo do conto original mantendo o núcleo duro da história: um cozinheiro talentoso, um ambiente de trabalho hostil, e uma queda de moralidade acompanhando a ascensão profissional. O resultado rendeu à dupla o prêmio de melhor roteiro adaptado no Prêmio Guarani de 2008 e o prêmio de roteiro original no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro do mesmo ano.
Silvestre seguiu escrevendo pro cinema depois de Estômago, incluindo E aí, comeu? (2012), Muita Calma Nessa Hora 2 (2014) e Um Namorado pra Minha Mulher (2016), mas nenhum desses trabalhos repetiu o tom sombrio de Estômago. Entre prêmios no Brasil e no exterior, o filme chegou perto de 36 reconhecimentos ao todo, um retorno bem maior do que qualquer um dos dois esperava de um conto de poucas páginas.