Para quem ensina, Fernandes resolve um problema prático: mostra que é possível falar de ecossocialismo em linguagem acessível sem esvaziar o conceito. Sua crítica ao identitarismo não recusa as pautas de raça e gênero; recusa a separação entre elas e a crítica de classe. É um bom antídoto contra as duas armadilhas que a sala de aula enfrenta: o economicismo que ignora as opressões e o identitarismo que ignora a estrutura.Por que importa
Fernandes se forma e começa a publicar no período que vai das Jornadas de Junho de 2013 ao governo Bolsonaro, quando a esquerda brasileira perde a iniciativa política e a crise climática deixa de ser pauta de especialista para virar experiência cotidiana. Sua obra nasce nesse cruzamento: uma esquerda em crise e um planeta em colapso, no mesmo país em que o agronegócio é apresentado como projeto nacional. É também o período em que o debate político brasileiro migra para as plataformas digitais, e ela faz a aposta de disputar esse terreno com teoria, não com palavra de ordem.
Biografia(expandir)
Sabrina Fernandes nasceu em 1988. Fez mestrado em Economia Política e doutorado em Sociologia na Universidade Carleton, no Canadá, com pesquisa sobre a esquerda brasileira e as contradições de sua atuação política.
Em 2017 criou o canal Tese Onze, que reuniu mais de 435 mil inscritos antes de encerrar em 2023. O nome vem da décima primeira tese de Marx sobre Feuerbach, aquela em que ele afirma que os filósofos apenas interpretaram o mundo de diversas maneiras e que se trata de transformá-lo. O canal fez o que quase nenhuma iniciativa brasileira havia feito: levar teoria marxista e ecossocialista para fora da universidade sem diluir o conteúdo.
É autora de Sintomas Mórbidos: a encruzilhada da esquerda brasileira (2019), leitura das Jornadas de Junho e do ciclo que se seguiu, e de Se Quiser Mudar o Mundo: um guia político para quem se importa (2020), escrito para quem quer agir e não sabe por onde. Organizou também uma edição comentada do Manifesto Comunista.
É pesquisadora de pós-doutorado do CALAS na Universidade de Guadalajara, conselheira sênior de pesquisa do Instituto Alameda e integra o comitê de direção da Global Ecosocialist Network. Escreve no Intercept Brasil sobre clima, política e transição energética.
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Trilhas
Sabrina Fernandes, no Atlas vivo do NEXO.
