Processo histórico de separação violenta dos trabalhadores dos meios de produção, por meio de expropriações de terras e destruição de formas coletivas de vida, que tornou possível o surgimento do capitalismo.
O conceito foi formulado por Karl Marx em *O Capital* (1867), que mostrou que o capitalismo não nasceu espontaneamente do progresso, mas por meio da expropriação de terras comunais, dos cercamentos na Inglaterra e da violência colonial nas Américas e na África. Silvia Federici, em *Calibã e a Bruxa* (2004), ampliou a teoria ao argumentar que a acumulação primitiva envolveu também o controle dos corpos femininos e da reprodução, especialmente por meio da caça às bruxas, que destruiu formas de autonomia das mulheres camponesas e criou o controle patriarcal sobre a reprodução como fundamento do trabalho não pago.
Para Federici, a acumulação primitiva não é apenas um evento do passado, mas um processo que continua ocorrendo sempre que o capitalismo precisa incorporar novos recursos, territórios e formas de vida ao seu funcionamento. Isso inclui a privatização de terras indígenas, a mercantilização da água e o controle corporativo das sementes. Na educação, o conceito conecta a história do capitalismo à história do gênero, da raça e da ecologia.