Bens materiais e imateriais compartilhados coletivamente e administrados em benefício da comunidade, ameaçados continuamente pelo processo de mercantilização capitalista.
Os comuns incluem água, terra, florestas, sementes, conhecimentos, cultura e espaços de convivência. Silvia Federici, em *Reencantando o mundo* (2019), defende que a reconstrução dos comuns é essencial para enfrentar as crises do capitalismo, pois eles representam formas de vida coletiva e de cuidado mútuo que escapam à lógica do lucro. Os comuns não são apenas recursos materiais, mas relações sociais: implicam formas de gestão coletiva, de responsabilidade compartilhada e de pertencimento comunitário.
A mercantilização dos comuns, também chamada de acumulação por espoliação, transforma direitos coletivos em mercadorias privadas, destruindo as bases de autonomia das comunidades. A defesa dos comuns é, por isso, central nas lutas por soberania alimentar, direitos dos povos indígenas, educação pública e acesso à água. Na perspectiva da reprodução ampliada da vida, os comuns são condição para que a vida possa florescer além dos limites do mercado.