Reencantar o mundo é recusar que tudo tenha dono e preço, e reconstruir aquilo que é de todos.NEXO · Atlas
Se o capitalismo nasceu cercando as terras comuns, Silvia Federici pergunta como reconstruí-las hoje. A resposta passa pelas mulheres e pela política dos comuns.
Neste conjunto de ensaios, Federici liga a sua história do capitalismo à luta do presente. O cercamento das terras e dos corpos que ela narrou em Calibã continua, e a saída está em reativar formas comunitárias de cuidar da vida, da terra e umas das outras.
Os comuns como horizonte
Comuns não são só florestas e águas partilhadas: são formas de organizar a vida fora da lógica do lucro e da propriedade privada. Federici mostra que defender e recriar os comuns é central para qualquer projeto de emancipação, sobretudo das mulheres.
As mulheres e a reprodução comum
Em muitas comunidades, são as mulheres que sustentam as redes de cuidado e reciprocidade. Reconhecer esse protagonismo é entender que reproduzir a vida em comum, e não cada um por si, é também um ato político de resistência.
Encantamento não é fuga
O NEXO sublinha que reencantar o mundo, em Federici, não é misticismo nem nostalgia. É uma estratégia concreta: contra o cercamento de tudo, reconstruir laços, terras e tempos compartilhados, aqui e agora.
Formas de organizar a vida e os recursos fora da propriedade privada e da lógica do lucro.
O cercamento que Calibã narra na origem do capitalismo continua; aqui, Federici pensa como revertê-lo.
Cuidar da vida em rede, e não cada um por si, como base de uma economia da solidariedade.
Reencantando o Mundo aponta um caminho: diante de um sistema que tudo privatiza, recuperar o comum é recuperar a possibilidade de um futuro coletivo.
Feminismo, Trabalho e Natureza.
