Não existe um único caminho de progresso, medido pelo crescimento. Existe a vida boa, em equilíbrio com a comunidade e a natureza.NEXO · Atlas
Bem Viver traduz o sumak kawsay, em quéchua, e o suma qamaña, em aimará: a vida boa entendida como equilíbrio entre pessoas, comunidade e natureza, e não como acúmulo de bens.
É uma cosmovisão de povos originários, não uma teoria importada. Recusa a ideia de que existe um só caminho de progresso, medido pelo crescimento econômico, e propõe a suficiência no lugar da expansão infinita. Mais do que uma meta individual, é um modo de vida coletivo.
Saberes que viraram direito
A noção saiu das comunidades indígenas para o debate público quando entrou nas Constituições do Equador, em 2008, e da Bolívia, em 2009, que reconheceram direitos da natureza. Pela primeira vez, um Estado escreveu na lei que a Terra é sujeito, não apenas recurso.
Contra o desenvolvimentismo
Pensadores como Alberto Acosta e Eduardo Gudynas formularam o bem viver como crítica ao desenvolvimentismo: a promessa de que basta crescer para que todos melhorem. O bem viver responde que crescer sem limite, num planeta finito, é destruir a base da própria vida.
Outra ideia de riqueza
O bem viver dialoga com o decrescimento e com o ecossocialismo, mas a partir de outra raiz: a dos povos que nunca separaram economia e natureza. Riqueza, aqui, é tempo, vínculo e terra saudável, não estoque de mercadorias.
Sistematiza o bem viver como crítica ao desenvolvimentismo e horizonte pós-extrativista.
Ambos recusam o crescimento como fim, mas o bem viver parte da cosmovisão dos povos originários.
A recusa de um progresso que devora a terra ressoa no pensamento de Krenak sobre adiar o fim do mundo.
Estudar o bem viver é descobrir que a alternativa ao crescimento sem fim já existe, e é mais antiga que o próprio capitalismo. Não é voltar ao passado, é aprender com quem nunca aceitou essa única medida de progresso.
Trilha Ecossocialismo.
